terça-feira, 12 de abril de 2022

 Turmas:          1004 B- 1005 B

1ª PARTE- QUESTÕES DISCURSIVAS (3,0 pontos)

 

QUESTÃO 1

(UERJ-2011)

O Jornal do Brasil aproveitou a corrida eleitoral pela presidência do Brasil em 1989 e consultou a opinião dos candidatos para a seguinte questão: “Se o senhor tivesse vivido a Revolução Francesa, que personagem da época gostaria de ter encarnado?” A maioria preferiria ter sido povo. Dois gostariam de ter sido filósofos. Ninguém quis ser político. Mas, curiosamente, aqueles que queriam ser povo ou filósofo em 1789, duzentos anos depois, almejavam a presidência. Adaptado de www.jblog.com.br O dia 14 de julho de 1789, data da queda da Bastilha, é considerado pelos historiadores um marco da Revolução Francesa. Considerando o contexto político da França em 1789, explique a importância simbólica da queda da Bastilha para o movimento revolucionário francês. Apresente, também, três propostas da Revolução Francesa que ainda façam parte da ordem política contemporânea. (1,0 pontos)

 

 

O aluno deve esxplicar que a Bastilha era uma prisão fortaleza em que, além de manter presos os adversários políticos do Antigo Regime Francês, contava com um paiol de armas capaz de armar os revolucionários e a sua tomada significou efetivamente o início da Revolução Francesa. Das distintas propostas da Revolução Francesa podemos destacar: os tres poderes, o constitucionalismo, a igualdade civil, a liberdade de imprensa, política, de religião, de ir e vir, entre outras tantas coisas

 

QUESTÃO 2

(UNESP-2013)

Esta representação da Bastilha, prisão política do absolutismo monárquico, foi pintada em 1789

A) Indique dois elementos da tela que demonstrem a solidez e a força da construção e o significado político e social da jornada popular de 14 de julho de 1789 (0,5 pontos)

 

A imponencia do presídio, seus muros altos, a ausencia de janelas, varandas, áreas livres impunham a ideia dela ser um presídio impenetrável, uma arma central do regime absolutista no silenciamento dos seus adversários políticos

 

B) Diferencie os dois principais grupos políticos da Revolução Francesa: girondinos e jacobinos (0,5 pontos)

Os girondinos eram a alta burguesia, mais moderados, defendiam a restrição dos direitos políticos aos mais ricos da sociedade, como pela proposta do voto censitário; já os jacobinos representavam a pequena burguesia e tinham propostas mais universilizantes como a sua defesa pelo sufrágio universal. 

 

  

QUESTÃO 3

(Enem 2014- ADAPTADA) A transferência da corte trouxe para a América Portuguesa a família real e o governo da Metrópole. Trouxe também, e sobretudo, boa parte do aparato administrativo português. Personalidades diversas e funcionários régios continuaram embarcando para o Brasil atrás da corte, dos seus empregos e dos seus parentes após o ano de 1808.

 

(NOVAIS, F. A.; ALENCASTRO, L. F. (Org.). História da vida privada no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1997)

 

Indique quatro obras realizadas por D. João no período Joanino (1808-1821).  (1,0 pontos).

 Abertura dos Portos. 
tratados de 1810. Construção da Biblioteca Real; Criação de Faculdades, construção de um teatro, da Quinta da Boa vista, do Jardim Botanico do Rio de Janeiro, patrocinador da missão artistica francesa, entre outras coisas. 


2ª PARTE- QUESTÕES OBJETIVAS (2,0 pontos)

 

ATENÇÃO! Preencher o quadro de respostas. Para efeitos de correção, somente ele será considerado.

 

 

 

 

QUADRO DE RESPOSTAS

1

2

3

4

 

B

 B

 E

 C

 

  

QUESTÃO 1

 

(Uel 2008) A Revolução Francesa representou uma ruptura da ordem política (o Antigo Regime) e sua proposta social desencadeou

 

a) a concentração do poder nas mãos da burguesia, que passou a zelar pelo bem-estar das novas ordens sociais.

b) a formação de uma sociedade fundada nas concepções de direitos dos homens, segundo as quais todos nascem iguais e sem distinção perante a lei.

c) a formação de uma sociedade igualitária regida pelas comunas, organizadas a partir do campo e das periferias urbanas.

d) convulsões sociais, que culminaram com as guerras napoleônicas e com a conquista das Américas.

e) o surgimento da soberania popular, com eleição de representantes de todos os segmentos sociais.

 

QUESTÃO 2

(UERJ- 2010)

 

 

 

 

 

 

INDEPENDÊNCIA OU MORTE!

 

 

Essa tela foi produzida entre 1886 e 1888, momento da crise do Estado Imperial e de expansão do republicanismo. A imagem da independência do Brasil nela representada enfatiza uma memória desse acontecimento político entendido como:

 

a)       Ação Militar dos Grupos populares.

b)      Fundação heroica do Regime Monárquico.

c)       Libertação patriótica pelos líderes brasileiros.

d)      Luta emancipadora face ao domínio estrangeiro.

e)      Participação dos escravos no processo emancipatório.

 

QUESTÃO 3

 

 

(Uema 2016) A imagem se refere à situação das receitas e das despesas do Estado francês na década de 1780. Pode-se analisar pelos dados que

 

a) a maior arrecadação do Estado era proveniente dos impostos diretos, pagos, em sua grande maioria, pelos representantes da Igreja Católica francesa, uma das mais poderosas da Europa.

b) a opulência da nobreza francesa era a responsável pela fração mais elevada dos gastos do Estado, seu principal financiador.

c) a crise econômica relacionava-se diretamente às questões internas, já que, no cenário internacional, os negócios contribuíram de forma significativa para as receitas do Estado francês.

d) os gastos com o pagamento da dívida representavam uma pequena parcela das despesas estatais, o que indicava a possibilidade de recuperação rápida da economia francesa.

e) o elevado deficit público do Estado francês foi um elemento central para o contexto histórico de profunda crise econômica que favoreceu a eclosão da Revolução Francesa em 1789.

 

 

QUESTÃO 4

 

CEDERJ 2012.1 – O processo da transferência da Corte para o Rio de Janeiro, em 1808, foi marcado por intensas negociações e conflitos. De todo modo, essa transferência representou uma ruptura decisiva na relação entre o Brasil e a metrópole portuguesa. Assinale a alternativa correta.

 

A) A abertura dos Portos em 1808 representou um retrocesso econômico da América Portuguesa, já que os preços das mercadorias exportadas eram calculados a partir dos interesses metropolitanos.

B) O processo que culminou com a transferência da Corte teve início com a pretensão da Inglaterra de invadir o território português, para conter o avanço das forças espanholas.

C) A transferência da Corte é um acontecimento de múltiplos significados. Entre as transformações inauguradas pela Corte instalada no Rio de Janeiro está a criação do primeiro Banco do Brasil.

D) A ascensão de Napoleão na França assegurou a independência política dos países do continente europeu ao consagrar a autonomia dos povos e das nações.

E) Diversas obras foram realizadas por D. João VI como- dentre elas- a construção do belíssimo Teatro Amazonas, em Manaus- AM.

 

 

 

BOA SORTE!

E

Saudações Tricolores!

 

sábado, 18 de abril de 2020

COVID-19: o vírus do ultraliberalismo.



Por Marco Lamarão

O aparecimento da pandemia do COVID-19 é, certamente, o episódio mais dramático da humanidade no século XXI, até agora (sendo o adendo talvez tão ou mais importante do que a afirmação primeira). E este não é um século qualquer. Afinal ele nasce sobre o signo da (im)possibilidade da existência humana na Terra. Que viu no seu alvorecer -  na retumbância da crise dos tigres asiáticos -  a queda de 4 presidentes argentinos (ali, nossa vizinha de porta) em apenas uma semana. Sem tom apocalíptico ou apologético, apenas no pessimismo da razão, construo este raciocínio.
Poucos anos depois de nascer o século assistiu em 2008 o capital especulativo derreter numa crise econômica sem precedente que, não fossem as lições (poucas) que os liberais absorveram de 1929, teria – não apenas no terreno das especulações mas sim das projeções- proporções ainda maiores do que daquela. Mas se o século nasceu tendo de enfrentar estes problemas, estes problemas não nasceram neste século.  Ainda antes, lá no final dos anos 1960, o modelo de reprodução ampliada do capitalismo passará a apresentar contradições que, de tempos em tempos- e cada vez mais agudamente- tornarão as crises cíclicas do capital reincidente em períodos mais curtos. Ou, como propôs Agamben1: um permanente estado de exceção.
No entanto, é importante que se perceba que ao longo de todo este processo houve um aprofundamento da implementação das premissas (neo-social-“ultraneo”) liberais. Ou seja, a ideologia do “livre-mercado” - sendo esta ideologia um fator determinante para o desencadeamento das crises- conseguiu se esquivar de ser responsabilizada pelas crises e, através de constantes metamorfoses, tornou-se ainda mais hegemônica. Tão hegemônica que, talvez, você que esteja lendo este texto acredite nela. Afinal, embora tenha se mostrado falha na “gestão de crises” engendradas pelo seu próprio desenvolvimento, o conjunto de premissas em que se assenta a sociedade capitalista tem tido um êxito espantoso. Neste ponto, infelizmente, esta pandemia é o argumento mais vigoroso contra a ideia do “Estado-mínimo”.
Entre aspas mesmo.
Afinal ele nunca foi “mínimo”. Se pegarmos o orçamento público federal brasileiro de 2019, veremos que 38,27% do orçamento federal executado se destinou ao pagamento dos juros e da amortização da dívida pública. Ou seja, aquilo que a União efetivamente pagou do que arrecadou foi injetado diretamente no sistema financeiro, de acordo com dados disponíveis na Auditoria Cidadã da Dívida. E, neste ponto, temos uma importante chave do grave problema. A maior parte do que é arrecadado pela União do Brasil tem como origem os impostos, contribuições ou tributos vindos do trabalho (do salário e renda do trabalhador), sendo o capital (lucros e dividendos), no Brasil, aliviados do mesmo peso taxativo a qual o trabalho é submetido. Em resumo: o pobre e a classe média brasileira pagam muitos mais impostos, proporcional e quantitativamente, do que os ricos. Além disso, o montante de sonegação de impostos praticados pelo grande capital no Brasil seria capaz de arrecadar ao erário público valores muito mais significativos do que a (contra)reforma da previdência, por exemplo. Isso sem falar na sonegação fiscal e na necessária auditoria da dívida pública. Fatorelli2 nos alerta de que a auditoria da dívida do Equador apontou uma série de irregularidades e conseguiu reduzir significativamente o montante pago.
Ora, a operação ideológica promovida pelo conjunto de ideias liberais permite que o “Estado-mínimo” seja, em verdade,  um mote para a desresponsabilização do Estado com as políticas sociais como educação, saúde, previdência, habitação, segurança pública, esporte, cultura, assistência social, etc. Enquanto o capital, na necessidade de se reproduzir, consome os tributos e impostos majoritariamente arrecadados da renda sobre o trabalho, aquelas áreas destinadas a atender àqueles que vivem desse mesmo trabalho agonizam com cortes orçamentários.  Ou seja, como bem disseram Neves Et al.3 (2010), o Estado é “mínimo” pro social e “máximo” para o capital.
E a necessidade de o capital se expandir não produz como efeito apenas a financeirização das políticas públicas, pelo mecanismo acima descrito e por outros. Como corolário deste processo teremos, obviamente, o sucateamento dos polos de pesquisa, centros de tecnologia, da educação, dos sistemas de saúde, da aposentadoria, etc (LEHER, 2018).
Este mesmo processo de busca insaciável pelo lucro tem esgotado os recursos naturais do nosso planeta, promovido mudanças ambientais e climáticas nunca dantes vistos (Mészáros, 2003)5. Tal degradação ao ambiente e, com isso e também, ao ser humano permite-nos afirmar, mesmo desejando estar errado, que cenários como a pandemia do COVID-19 serão cada vez mais frequentes nos anos vindouros.
Ora, as pandemias não são, de fato, uma novidade na história da humanidade. Não é novidade também o fato de que os historiadores denominem estas pandemias de acordo com o pensamento hegemônico daquelas épocas. Com isso, não é difícil entender o misto de xenofobia com intencionalidade quando denominam o COVID-19 de “vírus chinês”. Operam nos mesmos termos da “gripe espanhola”, da qual estudos recentes apontam não ter origem na Espanha6. A bem da verdade, vírus não tem nacionalidade e quando as assumem, assumem uma posição intencional no xadrez internacional. No entanto, resta-me indubitavelmente a clareza que a mais adequada alcunha ao COVID-19- se for de bom tom apelidar vírus-  é a de “vírus do (ultraneo)liberalismo” “vírus do capitalismo financeiro” ou qualquer outro nome que ressalte este nexo fundamental.  E esta importante disputa semântica finca raízes no hoje.
Cabe disputá-la.

Marco Vinícius Moreira Lamarão é Professor do Instituto Federal Fluminense Campus Macaé onde atua tanto no Ensino Médio quanto no Ensino Superior. Bacharel e licenciado em História pela UFF, Mestre e Doutor em Educação pela UFRJ, participa do grupo de pesquisa COLEMARX e coordena o Observatório da Educação Fluminense, sediado em Macaé.

 Referências:
1Agamben, Giorgio, 1942- Estado de exceção / Giorgio Agamben ; tradu~ao de Iraci D. Poleti. - Sao Paulo: Boitempo, 2004 (Estado de sitio)
3Neves, L. W. A direita para o social e a esquerda para o capital : intelectuais da nova pedagogia da hegemonia no Brasil/Lucia Maria Wanderley Neves (organizadora) ; Andre Silva Martins let al.]. - Sao Paulo: Xama,_ 2010.
4LEHER, Roberto. Universidade e Heteronomia Cultural no capitalismo dependente: um estudo a partir de Florestan Fernandes. Rio de Janeiro : Consequencia, 2018.
5 Mészáros, I. O século XXI- Socialismo ou barbárie? São Paulo : Boitempo, 2003

terça-feira, 17 de março de 2020

Filobocilidade

Por Marco Lamarão


Os filoboçais são um tipo que têm se tornado cada vez mais comum em nossos tempos últimos. Com latitude e longitude variadas, estes seres pipocam nas distintas nações, umas mais outras menos, mas tal e qual a idiotice, aparenta ser, também, patrimônio mundial.  Parecem os gatos soturnos, mas os gatos são detentores de uma astúcia que estes demonstram não ter. Talvez pareçam mais os ratos, a esperar o silêncio e a escuridão para o seu ataque, mas os ratos, me parecem, são donos de uma coragem que a covardia daqueles se assustaria e atacaria vil e truculentamente. Afinal, estes seres abjetos que pousam, momentaneamente, como os arautos da moralidade, são, na verdade, os expurgos purulentos de uma pele adoecida.
Afinal, figuras como Jair Bolsonaro, Rodrigo Constantino, Reinaldo Azevedo, Rachel Sherazade, Felipe Moura Brasil, Diego Mainard,  Lobão etc. que outrora ladeavam Olavo de Carvalho,  e demais intelectualóides de “direita” até ontem me davam a tranquilidade de saber que a direita brasileira consegue ser mais acéfala do que nós, a esquerda brasileira, dando-nos, os últimos, certo regozijo com nossos quiproquós inúteis; afinal, nossa inverso tupiniquim tem sobre os seus olhos o véu da idiotice. Até ontem. 
Nada contra “ser de direita”, esta é uma escolha que-  dado a formação, condição social, acesso à leitura, influencias e relações pessoais, pode ser presumível a maioria de nós. Sim, a maioria de nós, afinal as classes dominantes se utilizam de instrumentos poderosíssimos de conformação de mentes, sonhos e corações da juventude através, principalmente, da mídia (incluso a internet), de Igrejas (as mais variadas e das mais diversas matizes, o que não significa todas, por favor) e da escola.  A minha questão é:  porquê “ser direita” no Brasil (e outros lugares, mas no Brasil tá saturando o índice), ou liberal, acaba por ser sinônimo de “sou idiota”? Uma verborragia da ignorância, um placebo de opinião, um senso comum tornado rebuscado, uma idiotice dita com pompa, em meio a falsas e verdadeiras notícias, vemos um jorrar de estrume político.  Uma pena, por que a escola liberal costuma dar mais contribuições ao debate político- mesmo com milhares de discordância que tenho com ela-  do que a escola da  idiotice, ao longo da história humana; mas se ser de “direita no Brasil”, significa, por escolha livre, ser bócil, este é um processo que me causa certa inquietação.
Em certa medida, acho que isso tudo tem a ver com o fato de as classes que historicamente comandaram este país sempre acreditaram que o Brasil e os brasileiros não são capazes de saírem do seu estágio primitivo-  quase indígena, bastante preto e muito lusitano os próprios, em suma, três coisas que não prestam (segundo reflexão corrente nos corredores das mansões)- e que o pensamento do brasileiro médio é um pouquinho menos ágil e célere do que o Homer Simpsons - né Bonner? - E que por isso, aqui, tudo tem que ser na base da idiotice humana e do argumento rasteiro, misturado a intensa exploração sobre o trabalho, mas esta parte a gente veste com uma indumentária da meritocracia (em terra de ex-escravos).
Daí que se você for de direita (e tiver chegado até aqui, parabéns!) eu te faço um sincero pedido: represente o liberalismo, seja em seu matiz progressista ou conservador, de forma mais digna, afinal o que a “direita” tem defendido ultimamente seria de ferir a Declaração Universal dos Direitos Humanos, documento este criado pelo próprio liberalismo que dizem defender (em especial através de sua mais pífia- e por conta disto tudo, mais perigosa – figura: Jair Messias Bolsonazi). Leia os clássicos Smith, Locke, Mill, David Ricardo, mesmo Friedman ou Hayek, etc e menos Olavo de Carvalho. O debate político pode ser feito sem que se afronte o princípio da dignidade humana tanto alheia, como a de si próprio (com tão ignóbeis formas de argumentar).
Por que, de verdade: a postura e o argumento de muitos que defendem o que diz e pratica o Bolsonaro, mesmo que amenizando os seu atos, só podem ser me explicado segundo as reflexões de Freud, com duas doses de Nelson Rodrigues e gelo, por favor. Talvez, nem mesmo a psicanalise para entender homens e mulheres que apoiam figuras como esta. Como os cachorros que festejam quando passa a “carrocinha”. Ou então, algum lado bem imundo, mal guardado e mal resolvido em cada um para explicar um discurso tão desafiador do respeito ao próximo travestido de correto ou a “idiotice filosofada”. Daí vem um Corona Vírus e demonstram o quanto as bases de parcela da direita brasileira se calca no antirracionalismo, anticientificismo e quanto isso pode nos por em risco, não apenas os filoboçais, mas a todos nós. 
De sorte que se forem os ratos, são os ratos covardes, só dão a cara na internet ou juntos em "carreatas da morte (do outro)"; decerto: gatos não são, os gatos são mais astutos.



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Hoje eu fui o mesmo de ontem
Não um pouco de sim
E tanto ontem quanto pronto
Aprumo o ponto que sigo enfim
Sou pouco, sou muito, to tonto
Eu sou louco e eles são

A incompletude que há em mim
Não preencherá de repente
Somente quem sente
Ardência no eito
Dia após dia
Provará o efeito
Do próprio fim
Somos assim.

Do vazio fazemos infinito
Do vácuo fazemos universo
E sustentamos tudo ao inverso,
Cheio de razão, te digo:
Em nome do pai
Acredite - me.

Que aos poucos vamos nos matando
E com isso aos outros também
É tanto sangue no pântano jorrando
Que só nos cabe pedir amém
E Divinizar o nosso demônio
cotidianamém
Que ao devir
Pelos que vieram
Apelo

Sejamos além!

E não bastemos no que nos dão
Não nos subestimem!
Não acataremos o jazigo
Como meio de vida
A nulidade como única saída
Não me diga por onde ir!
Que tanto me prendes? inda posso sorrir!
Enquanto me apresentam lição
Eu permaneço em revolução
E dir-te-ei o que faremos, daqui para frente:

Enlouquererseremos!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Ris-te de mim


Como um copo pela metade de felicidade
Sigo em riste com meu falso sorriso
da normalidade psicótica: a docilidade
segue reto o teu compromisso, eu friso

De seres tão normal nesta tensa loucura,
Fazer de si mesmo, a grande procura
E nunca achar, pois que não existe
A não ser na sua mente lobotizada
Psicopatamente normatizada.

Ali és santo
De si mesmo: um antro
Pofágico
Trágico fim

Este que morremos nascituro
E vamos vivemos esta aborto noturno
dia-após-dia
Onde somos o que pensamos ser
apenas em nossa mente
Somos ira da mente
Filhos da mentira
A negação de si mesmo
Sois tu, mas és a esmo

Em verdade somos o outro,
Somos o todo, e não meio termo
Somos a rosa, o espinho e o broto
Somos florestas e não lugares ermos
Somos carinho e não o agressivo soco
Somos saúde e não seres enfermos
Somos o gênio, somos o louco

Condicionados a sermos porção
Ensaiando a sorte em pequenos  acertos. 
Acertando a morte em pequenos erros. 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Hávida



Em homenagem aos moradores da favela do Metrô e aos lutadores!

Há vida em toda esta aridez
Há amor, no meio da insensatez,
Humanidade, nesta coisificação
Há verdade, em meio a tanta ilusão.
Escondido em cada um de nós, há o outro
Mesmo pouco, não estamos sós.

Mesmo na sua solidão,
Na tristeza que nos fere
No choro contido das atrocidades em série
Na iluminada escuridão.

Há confiança
Pois em cada um de nós o conflito é diário
Entre o malandro e o otário
Entre a maldade e a temperança,
Se é a dor que me faz vivo
Dispenso os atalhos: que doa a esperança!
E em meio à tristeza generalizada e enrustida
De nervoso, eu gargalho.
Por defesa, sempre sorrio,
Sou gente, sou falho.
Em meio a tudo, onde ninguém importa
Escolhi ser o imperfeito-ingênuo-idiota.

Pois sei que há gente de carne e osso no meio do plástico
Atrás da fumaça e da bomba,
Por detrás da foto e no outro
Creia: há humanidade
Em meio aos garridos escombros retorcidos
que chamamos de civilidade
Eu vejo, ao fechar os olhos: há vida.

Ávida vida, agora conta-me
O teu $egredo capital:
Já que fora desvelada a sua falsidade,
Detrás de qual futilidade que escondeste
 A vívida vida de verdade?

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Amor a dia





Meu amor é feito de espinhos,
É como asa sem passarinho
Como avião que não pode voar
Parece chão doído de pisar

O meu amor é virulento
Sou um machista feminista que não me aguento
É pura poesia do tormento
Ou a arte do posterior  lamento

O meu amor não é só ciúmes,
É ciúmes e imaturidade
Vingança e veleidade
É mentira se tornando verdade

Sou um doente sadio
Ou um sado doentio
A sanidade por um fio
Amor de pai, que nunca teve filho

Este amor muito me intriga
Gosto de curry com briga
Que precisa perder pra ver que ganhava
que precisa acordar enquanto bem sonhava

Mas ele também é legítimo e intenso
Pode ser leve ou pode ser tenso
Mas com muito fogo é o meu amor:
Não sei ser frio, enquanto sinto calor


E desculpe o meu exagero
Daquele que não sabe amar sem freio
E, assim, com força atropela
E questiono se meu amor é legítimo meio
(ou se tá mais pra novela)
todavia, algo se me revela
em plena lua cheia do Rio de Janeiro
(Já viram como ela está bela?)

Eu não sei te amar, se não for por inteiro.