Blog de cunho pessoal, textos, poesias, material, análises, ensaios, vídeos, audios e artigos produzidos pela minha pessoa estarão aqui.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Outra noite
Seguia errante os mesmo passos que não lembrava
Angústia cortante constante depressão
Que não percebia porque sorria intermitentemente
Há quem diga que mente,
Há quem diga que sente
Algo como a solidão consumada.
Consumida em instantes fugazes,
Dinheiro, comida, bebida (bares),
Isqueiro, a vida esquecida (lugares)
Banheiro e idéias perdidas (na privada)
Lá ia ele sem nexo,
Caminhava perplexo
Pelo meio do saguão escorregava
Dentre as pessoas nunca dentro,
Pouca imensidão
Intensa superficialidade
Gracejo e sensualidade
Que sempre tropeçava.
No fio da piada sem-graça
Sem graxa e borracha
Apagava e continuava
Um pouco de si mesmo
Espalhados pelos muitos copos
que esquentavam em vão
E o pior, eu diria,
Era que ninguém percebia
Que naquela noite vazia
o que ele só queria era
compreensão com poesia.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Panfletopoéticomum
É poesia, sutileza e grosseira
Em meio à anestesia e o prazer,
Associa a idade pouca dos seres humanos,
E esquecemo-nos sempre: o quão humano é ser.
E se todo dia é esta muita pressa
Junto ao (p)(r)acional discurso da irracionalidade,
Sobra- nos pouca consciência e muita reza,
P´ra justificar o leilão de nossa surrada dignidade.
Contudo, não há espaço para os fatalismos
Aqui é a poesia panfletária das possibilidades
De que com sangue, organização, solidariedade e luta
Nós, oprimidos, construamos: a almejada liberdade!
domingo, 23 de janeiro de 2011
tanto tento
Tanto tento
“Cada tanto de valor,
Tem tanto o teu intento,
Quanto a tua dor:
Eu tento,
Amor. ”
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
O só riso dança
Ela dança um sorriso morno
E canta com o passo aguado
O seu choro rebola seu corpo
Num copo, o pouco do agrado
O seu futuro apresenta o passado
Onde o tenro enrijece o doce
Pois o assunto conflita com o pacificado.
É um fardo e, que se isso não houvesse,
Não poderia aqui poesia ter chegado
Para tão somente falar do seu requebrado
Estampado em seu sorriso rouco
Tudo, parco e louco, portanto: encantado.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
estou a mando do medo de ser amado
serve?
DO MEDO DE SER AMADO
Do medo de ser amado
Fiz- me sozinho
Pus pedra onde era carinho,
Obstáculos onde era caminho
Das pétalas fui o espinho
E provo que estava errado
Com medo de ser amado.
Provo com o gosto amargo na boca
E com o cansaço da moça
Cujo amor me propus a conquistar.
Onde era alegria, fui fossa
Onde era funk, fui bossa
Onde era rosa, fui vermelho
Onde era amizade, fui pentelho
Te dei certeza, onde era erro
Toda a minha paixão e
Um pouco do meu destempero.
Hoje sobrou pedaços,
De recordações que serão pra sempre
E nelas você será pra sempre minha,
Fruto somente do meu muito querer
Por que hoje, eu sei, você já é mais
E saiba que você nunca estará sozinha
E, por mais que vc insista em dizer,
Eu sei bem, que isso nem tanto faz.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Gênesis.
- foi um sonho.
E assim, puseram-se a andar, os dois, rumo ao escuro bem a frente. Sabiam das suas capacidades de sonharem acordados, de misturar mágica à realidade. Foi quando, como se os olhos se acostumassem com a escuridão, e aquilo que era sombra foi se esclarecendo.
- Temos sempre que olhar forte, para podermos enxergar. Às vezes, só com o tempo mesmo é que vemos - Disse ele.
E ela, mesmo na escuridão trocava olhares com ele, que não a enxergava, mas sabia que ela o olhava de soslaio e a retribuía. E era assim, havia entre os dois algo a se esclarecer, um assunto nebuloso, escuro e opaco, que eles só tratavam de forma tangencial e indireta. As palavras e invectivas, todas as vezes que foram ditas, agiam de forma mágica, mística, ajudando ou não, de acordo com sua objetividade, a esclarecer ou escurecer o ambiente.
Eles buscavam se acostumar bem com esta regra: de que ao falarem diretamente e objetivamente a si esclareciam o ambiente ou, se agissem de forma irônica, dúbia, ou até mesmo enganosa, acabavam por ajudar a escurecer tudo. Conquanto talvez não soubessem, tanto o escuro quanto o claro têm os seus mistérios, erros e acertos, dizem os mais velhos.
- Ao mesmo tempo que eu sonho e gosto, tenho medo da realidade - disse ela.
- Eu também. Vivo no mundo dos sonhos ou sonho no mundo dos vivos, não sei bem- foi o que ele respondeu.
- Até porque no mundo em que vivo tem pessoas que gostam de mim e não poderia abrir mão deste mundo sem magoá-las- disse ela.
E o silêncio dele, ou porque não tinha o quê dizer ou porque não queria, foi seu dizer mais expressivo.
Milhões de anos de silêncio e sombra se passaram.
- Só quero que você saiba- disse ele- que se eu não te pinto um quadro belo sobre um mundo novo é porque também ainda não o conheço, mas sei que um outro mundo é possível. Sinto o cheiro dele, como cheiro de chuva repentina em dia ensolarado: você começa a sentir o cheiro e não sabe explicar o porquê, mas sabe que choverá.
- E, de verdade, eu também não tenho certeza de muitas coisas – ela disse.
- E como haveremos de ter certeza sobre algo que ainda não existe? - foi o que ele pensou, mas não disse, e esta sua atitude indevida de não dizer, omitir, deixar de falar e transparecer teve seu efeito estrondoso. Uma névoa se assentou sobre os dois de modo que eles pouco se enxergavam, não conseguiam se ver mais, nem em vulto. Ele tonto, buscou com o tato a presença dela, e não a achou. Ela, temerosa, fez de volta o seu caminho já conhecido, sua rotina, e voltou para o seu mundo. Não era felicidade, mas de alguma forma ela se sentia confortável por presumir que tudo estava sob seu controle, tão diferente da incerteza, insegurança e do charme do novo e do desconhecido que ele representava.
Neste ínterim, enquanto a procurava, ele vagou por estradas obtusas, escarpas perigosas, andou por desfiladeiros mortais, perdeu importantes amigos, dormiu ao lado de plantas tóxicas, conviveu com animais selvagens, enfrentou o deserto e o mar, a chuva e a falta d´água mas quem acha que ele sofria com isto tudo ou não sabia bem onde encontrá-la, se engana. Na verdade, com tudo isto ele se fortalecia, buscava criar em si a força necessária para ultrapassar a barreira da escuridão e mesmo sob o risco de errar: tentar. Tentar aquilo que desejava, tentar aquilo que tanto queria para si, mas que ainda não havia tentado graças a alguns pormenores que ele chamava de ético. Têm estas dificuldades as pessoas de princípios.
Reencontrou – a em algum canto deserto do mundo dela e desta vez com toda a força acumulada, foi incisivo. Falou de modo claro e objetivo, e chovia, e enquanto falava e ela ouvia e desejava, viram abrir botões de flores na areia, aos poucos levantaram - se árvores, sob seus pés molhava-se a areia que se transformava em terra e, em tempo, viu-se surgir um rio, os pássaros já cantarolavam, enquanto peixes e golfinhos saltitavam felizes. A chuva foi parando, o cinza se esvaindo, ele se aproximou dela, calado, não havia mais palavras que expressassem o sentido de tanta magnitude, as palavras ali seriam caixinhas de conceitos diante da imensidão do mar, que também surgiu mais a frente, bem como as cordilheiras se engrandecendo atrás, de olhos fechados conseguiram perceber as nuvens se desfazendo e, ao tocarem os lábios um do outro, sentiram a força da luz que se formava com o sol, gigante e próximo como nunca esteve.
A luz foi feita e, neste instante, surgiu o mundo.