Embora não seja o ponto mais central do embate ideológico que ora se manifesta, penso ser momento oportuno para disputarmos uma ideia importante, a de que a tática que utiliza "a violência" para criticar o Estado é um erro do movimento social. Esta ideia, propugnada pela grande mídia para deslegitimar o movimento, esquece-se que quem detém o monopólio da violência é o Estado e que este serve, como fim último e deveras mediado, como instrumento de dominação de uma classe social sobre outras classes e frações. Daí que quem é violenta por natureza é a Policia, em especial a policia brasileira, que ao longo da nossa República viveu sob longos anos em regimes declaradamente autoritários e é douta em técnicas de torturas variadas. Aos movimentos sociais cabem sim o direito à defesa, em especial a direitos fundamentais, celebrados incluso pela grande burguesia, como o direito de ir e vir, o direito de expressão e, mesmo, o direito à vida.
Outro ponto a tratar é o fato de que o "Patrimônio Pùblico" depredado, é nada mais, do que alvos selecionados que representam a lógica atroz do Estado voltado a reprodução do capital financeiro na sua forma mais agressiva. A esculhambação de Bancos, lixeiras, ALERJ, Mc donald´s, ônibus, metrô quer expressar- de forma ríspida- a negação de práticas onde os interesses públicos são confundidos com o interesse dos poderosos. No Rio de Janeiro, em especial, o capital financeiro sorri e tem na dupla Eduardo Paes/Cabral excelentes artífices da execução dos interesses dos diversos segmentos do capitalismo, característica singular dos beneficiários é serem eles, todos, grandes monopólios. Ou seja, o imposto pago pelo trabalhador tem sido escancaradamente utilizado para engordar a conta de Deltas, Odebretch, Eike´s e afins, através de obras, reformas, isenções, contratos, etc. Esta sim, verdadeira depredação do patrimônio publico, sem aspas.
Para não me alongar já me alongando. A prática do "quebra-quebra" sempre foi largamente utilizada na história do povo carioca, a Revolta da Vacina (1904), a Revolta das Barcas (1959), as diversas revoltas contra os ônibus são claras evidências disso e, portanto, entendido como ato reativo na prática política, tem sim a sua validade. Não sou eu quem digo, mas sim a história. A questão do uso da violência pelos movimentos dissidentes não pode ser uma discussão a priori, senão não poderíamos ter assistido nenhuma das grandes revoluções axiais à nossa civilização. Contudo, querem-nos fazer esquecer esta dimensão.
Afinal, no mundo dos Monopólios, não podemos esquecer do monopólio da imprensa, que chama de "liberdade de imprensa" o direito de expressar a "visão de mundo" afinada aos interesses deles mesmo, os Monopólios, nada mais óbvio. Daí que estas ações, ao menos, conseguem romper - positivamente ou negativamente - o silêncio imposto. O debate está posto, esta foi a primeira e grande vitória, agora é crescer, pois que os argumentos são óbvios e óbvia é a fratura imposta em nossa cidade, estado e país.
Sem luta, sem cura.
Bonda virado – Revolta da Vacina (1904)
A revolta das barcas (1959)
Revolta contra o aumento dos ônibus 1987