Os filoboçais são um tipo que têm se tornado cada vez mais comum em nossos tempos últimos. Com latitude e longitude variadas, estes seres pipocam nas distintas nações, umas mais outras menos, mas tal e qual a idiotice, aparenta ser, também, patrimônio mundial. Parecem os
gatos soturnos, mas os gatos são detentores de uma astúcia que estes demonstram
não ter. Talvez pareçam mais os ratos, a esperar o silêncio e a escuridão para
o seu ataque, mas os ratos, me parecem, são donos de uma coragem que a covardia
daqueles se assustaria e atacaria vil e truculentamente. Afinal, estes seres
abjetos que pousam, momentaneamente, como os arautos da moralidade, são, na
verdade, os expurgos purulentos de uma pele adoecida.
Afinal,
figuras como Jair Bolsonaro, Rodrigo Constantino, Reinaldo Azevedo, Rachel
Sherazade, Felipe Moura Brasil, Diego Mainard, Lobão etc. que outrora ladeavam Olavo de Carvalho, e demais intelectualóides de “direita” até ontem me davam a
tranquilidade de saber que a direita brasileira consegue ser mais acéfala do que nós, a esquerda brasileira, dando-nos, os últimos, certo regozijo com nossos
quiproquós inúteis; afinal, nossa inverso tupiniquim tem sobre os seus olhos o
véu da idiotice. Até ontem.
Nada contra
“ser de direita”, esta é uma escolha que-
dado a formação, condição social, acesso à leitura, influencias e
relações pessoais, pode ser presumível a maioria de nós. Sim, a maioria de nós,
afinal as classes dominantes se utilizam de instrumentos poderosíssimos de
conformação de mentes, sonhos e corações da juventude através, principalmente,
da mídia (incluso a internet), de Igrejas (as mais variadas e das mais diversas
matizes, o que não significa todas, por favor) e da escola. A minha questão é: porquê “ser direita” no Brasil (e outros lugares, mas no Brasil tá saturando o índice), ou liberal,
acaba por ser sinônimo de “sou idiota”? Uma verborragia da ignorância, um
placebo de opinião, um senso comum tornado rebuscado, uma idiotice dita com
pompa, em meio a falsas e verdadeiras notícias, vemos um jorrar de estrume
político. Uma pena, por que a escola
liberal costuma dar mais contribuições ao debate político- mesmo com milhares
de discordância que tenho com ela- do
que a escola da idiotice, ao longo da história humana; mas se ser de “direita no Brasil”, significa, por escolha livre,
ser bócil, este é um processo que me causa certa inquietação.
Em certa
medida, acho que isso tudo tem a ver com o fato de as classes que
historicamente comandaram este país sempre acreditaram que o Brasil e os
brasileiros não são capazes de saírem do seu estágio primitivo- quase indígena, bastante preto e muito lusitano os próprios,
em suma, três coisas que não prestam (segundo reflexão corrente nos corredores das mansões)- e que o pensamento do brasileiro médio é
um pouquinho menos ágil e célere do que o Homer Simpsons - né Bonner? - E que
por isso, aqui, tudo tem que ser na base da idiotice humana e do argumento
rasteiro, misturado a intensa exploração sobre o trabalho, mas esta parte a gente veste com uma indumentária da meritocracia (em terra de ex-escravos).
Daí que se
você for de direita (e tiver chegado até aqui, parabéns!) eu te faço um sincero
pedido: represente o liberalismo, seja em seu matiz progressista ou conservador,
de forma mais digna, afinal o que a “direita” tem defendido ultimamente seria
de ferir a Declaração Universal dos Direitos Humanos, documento este criado
pelo próprio liberalismo que dizem defender (em especial através de sua mais
pífia- e por conta disto tudo, mais perigosa – figura: Jair Messias Bolsonazi).
Leia os clássicos Smith, Locke, Mill, David Ricardo, mesmo Friedman ou Hayek, etc
e menos Olavo de Carvalho. O debate político pode ser feito sem que se afronte
o princípio da dignidade humana tanto alheia, como a de si próprio (com tão
ignóbeis formas de argumentar).
Por que, de
verdade: a postura e o argumento de muitos que defendem o que diz e pratica o
Bolsonaro, mesmo que amenizando os seu atos, só podem ser me explicado segundo
as reflexões de Freud, com duas doses de Nelson Rodrigues e gelo, por favor. Talvez, nem mesmo a psicanalise para entender homens e mulheres que apoiam
figuras como esta. Como os cachorros que festejam quando passa a “carrocinha”.
Ou então, algum lado bem imundo, mal guardado e mal resolvido em cada um para
explicar um discurso tão desafiador do respeito ao próximo travestido de
correto ou a “idiotice filosofada”. Daí vem um Corona Vírus e demonstram o quanto as bases de parcela da direita brasileira se calca no antirracionalismo, anticientificismo e quanto isso pode nos por em risco, não apenas os filoboçais, mas a todos nós.
De sorte que se forem os ratos, são os ratos covardes, só dão a cara na internet ou juntos em "carreatas da morte (do outro)"; decerto: gatos não são, os gatos são mais astutos.
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