quinta-feira, 22 de maio de 2014

Só lhe dão

Tantos prantos,

Tantas derrotas,

Quantas quedas

Muita história

 

E outra pedra

Tapando o nosso caminho

Ei de Lança-la na vidraça

De minha memória

 

E este pedaço de vida caído no chão, sou eu

Em tantas multidões, três vezes ao dia

Somos todos, na verdade, todos e sozinhos.

solitários e pouco solidários.

 

Vizinhos permaneceremos

Mesmo sem as paredes, pereceremos de ser.

Simplesmente por não sabermos mais como se faz

Proclamamos todo dia a guerra, dizendo defender a paz.

 

Fomos por outros caminhos que não nos levará ao essencial

Não leve a mal, este meu tom de doce amargura

É que palavra engasgada só se segura em seu canto

Se o pobre do papel não estiver em branco

 

Tantas frases que não pude proferir

Tantos provérbios que me esquivei de ouvir

Fiado na minha burra sabedoria

Das verdades mais óbvias, fazia escárnio e ria.

 

Pois tantas loucuras

Que esqueci de cometer

Tanta fartura

Que não soube dividir

 

Tenho mesmo o dom de me iludir

Aludir ao que não importa

E pras chances da vida, fechar a porta

Repetindo que é para não me ferir

 

Pois quem caminha por esta vida torta

Torto aprende a caminhar

E mesmo dando voltas na escuridão

Vive de tantas voltas dar.

 

Tontos ficamos de sermos

Exatamente aquilo que nos anula

Confundindo o supérfluo com princípios

Sempre se chega ao mesmo fim, ademais o início.

 

No entanto, mesmo neste caminho diletante

Sempre haverá algo em nós de militante

De sonhos, de pensamentos, de humano

Que nos despertará a qualquer momento ou num instante.

 

E descobriremos que a  engrenagem pode não funcionar

quando aquela pecinha que a move resolver

Que quer ser humano e não mais peça, este papel bisonho

Invés de viver o seu círculo, viver o seu sonho.

 

E daí, teremos …

 

Outros prantos,

Outras derrotas,

Mais tantas quedas

E outras tantas histórias

 

E outra pedra

A lançar na memória.