terça-feira, 24 de novembro de 2015

Ris-te de mim


Como um copo pela metade de felicidade
Sigo em riste com meu falso sorriso
da normalidade psicótica: a docilidade
segue reto o teu compromisso, eu friso

De seres tão normal nesta tensa loucura,
Fazer de si mesmo, a grande procura
E nunca achar, pois que não existe
A não ser na sua mente lobotizada
Psicopatamente normatizada.

Ali és santo
De si mesmo: um antro
Pofágico
Trágico fim

Este que morremos nascituro
E vamos vivemos esta aborto noturno
dia-após-dia
Onde somos o que pensamos ser
apenas em nossa mente
Somos ira da mente
Filhos da mentira
A negação de si mesmo
Sois tu, mas és a esmo

Em verdade somos o outro,
Somos o todo, e não meio termo
Somos a rosa, o espinho e o broto
Somos florestas e não lugares ermos
Somos carinho e não o agressivo soco
Somos saúde e não seres enfermos
Somos o gênio, somos o louco

Condicionados a sermos porção
Ensaiando a sorte em pequenos  acertos. 
Acertando a morte em pequenos erros. 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Hávida



Em homenagem aos moradores da favela do Metrô e aos lutadores!

Há vida em toda esta aridez
Há amor, no meio da insensatez,
Humanidade, nesta coisificação
Há verdade, em meio a tanta ilusão.
Escondido em cada um de nós, há o outro
Mesmo pouco, não estamos sós.

Mesmo na sua solidão,
Na tristeza que nos fere
No choro contido das atrocidades em série
Na iluminada escuridão.

Há confiança
Pois em cada um de nós o conflito é diário
Entre o malandro e o otário
Entre a maldade e a temperança,
Se é a dor que me faz vivo
Dispenso os atalhos: que doa a esperança!
E em meio à tristeza generalizada e enrustida
De nervoso, eu gargalho.
Por defesa, sempre sorrio,
Sou gente, sou falho.
Em meio a tudo, onde ninguém importa
Escolhi ser o imperfeito-ingênuo-idiota.

Pois sei que há gente de carne e osso no meio do plástico
Atrás da fumaça e da bomba,
Por detrás da foto e no outro
Creia: há humanidade
Em meio aos garridos escombros retorcidos
que chamamos de civilidade
Eu vejo, ao fechar os olhos: há vida.

Ávida vida, agora conta-me
O teu $egredo capital:
Já que fora desvelada a sua falsidade,
Detrás de qual futilidade que escondeste
 A vívida vida de verdade?