segunda-feira, 14 de maio de 2012

rascunho

 

 

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2-VdgpGcmNt-SylTUEsfuZ-F7PbLckBQQY3ZbxXBhyZyFSUjhp3cQtcue-vkveMQyW2RTMIKAhHe7dxQ_n8KFNpALhzrgdWEmelC2IjceRoauo54wGnFefcUkiDpk1bGFdGvxDMU8X24/s1600/299848_270513872982014_100000702107752_934486_1268239467_n.jpgNós, educadores que nos opomos acerca do projeto “PMS na escola”, nominados como pessoas que “tem de ser contra algo” ou de desconhecermos a realidade e o entorno das escolas públicas achamos necessário fazer público e de forma didática os motivos pelo qual somos veemente contra o projeto, para assim obter o pleno entendimento das nossas razões pela população bem como o entendimento de Vossa Excelência que, por falta de esclarecimento ou má-fé, se utiliza da grande mídia para proliferar calúnias com vista única a defender o projeto da secretaria de sua responsabilidade.

Um primeiro ponto que muito nos espanta é o tremendo esforço que tem empreendido o secretário, fazendo uso da imprensa chapa branca e da grande mídia para refutar a tese de “alguns poucos”. Usar de tão grande instrumento para calar a “calúnia de alguns poucos” não nos parece uma ação que tenha coerência. Se calúnia fosse, não se sustentaria por muito tempo, cabendo aos fatos, por si só, porem abaixo a validade de qualquer crítica sem substancia. Se alguns poucos fossem, não precisaria de tamanha força. Não se usa bala de canhão para matar formigas, todos sabemos. O que subiste disto é diferente: ou o temor de termos razão, ou o temor de sermos mais do que alguns poucos, ou pior, serem ambos os temores confirmados.

Primeiro dado importante: não podemos tratar a violência de forma técnica e tão somente imediata, o pedido por maior segurança nas escolas públicas tem como solução a contratação de mais funcionários técnico-administrativos e de apoio, corpo este designado e com o devido conhecimento especifico para o exercício da função de inspetoria e portaria, bem como pela oferta, por parte do Estado, de formação continuada para estes profissionais. É importante notar que, atualmente, os funcionários que exercem estas funções nas escolas do Estado são em sua maioria precarizados pela terceirização, substituídos com a constância mercadológica, não capacitados e nem valorizados para tanto. O uso de policiais, que não tem formação para tanto (e quando dizemos formação não estamos falando de um curso de adaptação, estamos falando de conhecimentos legislativos acerca do ECA, de conhecimentos pedagógicos, etc.), que trabalharão no seu contraturno, em período que seria de descanso. Nos dois casos, na área da educação e da segurança, a lógica é a mesma, chama-se de valorização o que na realidade é aumento da carga de trabalho e manutenção de rendimentos baixíssimos. Importante dizer que o governo que Vossa Excelência participa é o que menos gasta com seus servidores no Brasil.

Não podemos acreditar que a causa da violência seja tão somente a ignorância e a má-educação do povo, ela é fruto da profunda desigualdade social e, pior, da forma como historicamente se tem tratado a coisa pública no Brasil. Este país é uma república de muitos Cavendishs e Cachoeiras, que o diga o representante máximo do poder executivo do nosso Estado. Quem rouba de forma mais corriqueira os objetos de informática da Escola Pública, os meliantes que a invadem ou os governantes que fazem contratos escusos com empresas amigas pagando pelo aluguel mensal de computadores quase o equivalente ao seu preço de compra?

O que nos assusta muito é exatamente a palavra “preventiva”, sempre usada para atirar contra a juventude negra e pobre, esta que muito frequenta a escola pública. Foi também a palavra preventiva que justificou o uso de meios ilícitos (como grampos telefônicos) contra parlamentares da oposição e lideranças do movimento sindical, vide os bombeiros. Foi preventiva a ação da polícia contra os que marchavam pacificamente e propunham o debate da legalização da maconha. Também preventiva foi a ação da polícia paulista na reintegração de posse de Pinheirinhos. Daí que se concluí que “prevenção” para os governantes e seus coligados na sociedade civil é a palavra que “legitima” a ação truculenta da policia contra os movimentos sociais e contra a juventude pobre e negra. Usa-se um clamor popular latente da segurança das escolas para lançar mão dos mesmos velhos mecanismos de perpetuação da ordem. Em um ponto concordamos, o policial não cumpre um papel pedagógico, só que acreditamos, profundamente, que a escola é um lugar exclusivamente pedagógico o que nos leva a concluir que o lugar da policia não é na escola pública, a não ser que sejam alunos e se comportem como tal. Por fim, senhor secretário, passado 80 anos o senhor repete a receita dos presidentes da velha república ao tratarem, erroneamente, a questão social como um caso de polícia.

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