sábado, 16 de fevereiro de 2013

Obra em gado

Obrigado pelo sorriso no gol do adversário

Obrigado pelas vezes que reclamaste da minha roupa

Obrigado pelo tom com que gritaste comigo, em público

Obrigado pelo sarcasmo do elogio e pela censura do olhar

Ou quando me reprimiste quando infantilmente tentei me soltar

Obrigado por ter me abrigado, no teu sofá

Obrigado por, depois de tudo, não ter conhecido os meus sobrinhos

Nem ter frequentado a casa dos meus irmãos

Obrigado por não me ter apresentado à sua família

Obrigado por ninguém saber de verdade o que sou pra vc

Obrigado, mas muito obrigado, que toda vez que te fiz ou  pedi algo

Ou fingir que não, ou viu, ou logo tratou de esquecer.

Obrigado pela sua ausência quando quis tua companhia

E principalmente de ter me virado as costas na hora da agonia

Aprendi, muito, principalmente em acreditar que o amor é possível

Pois amei, tentei, mas não aguentei, mesmo a paixão tem um quê de risível

E agora torno visível, toda a minha gratidão

Só que não.

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